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" O mais importante na
vida é ser-se criador - criar
beleza"
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"ANTÓNIO TOMÁS BOTTO" nasceu no
casal de Concavada, freguesia de Alvega, concelho de Abrantes, a
17 de Agosto de 1897, segundo os registos paroquiais (em que
também figura o duplo T que o poeta foi acusado de usar
por pedantaria esteticista [...]"
Líricas Portuguesas / Jorge de
Sena
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Cópia do assento
do baptismo de António Botto na Igreja de S. Pedro de
Alvega.
Note-se o facto de ser o filho primógénito deste
casamento - o primeiro da mãe e o segundo de pai, de profissão
"marítimo". |
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 A Concavada foi o lugar de infância
de António Botto. Trabalhando o pai nos "barcos de
água" é natural a sua intimidade com o Tejo e
a sensibilidade à natureza que revela nos seus poemas.
No início do século, neste lugar junto ao rio,
atracavam barcos, labutavam calafates, de cujas oficinas são as ruínas
da foto, e se refrescavam canseiras na taberna que o movimento
propunha.. |
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A decadência do tráfego fluvial do
Tejo leva o pai de António Botto a rumar a Lisboa - como
tantos outros "marítimos" do nosso concelho - onde
virá a ser arrais de fragata. O futuro poeta tinha
então cerca de onze anos.
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 Rua da Adiça, nº22, 3º - onde morou
António Botto até à idade adulta |
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" A
família [...] estabeleceu-se em Lisboa, no bairro de Alfama,
cuja atmosfera popular ainda então não falsificada
pelo turismo se reflecte em muito populismo da sua poesia e numa das
suas peças de teatro."
Líricas
portuguesas/Jorge de Sena
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 Rua da Madalena,
nº 151, 1º - uma das moradas da António
Botto
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 Na mesma varanda, outra
presença outrora.
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Quando não tinha "problemas"
que o obrigavam a recorrer a quartos alugados, António Botto
viveu com a sua companheira Carminda Silva nas duas moradas que as
fotos documentam.
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Rua Tenente Ferreira
Durão, nº 56.
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| Esta foi a última morada do poeta em
Lisboa antes de, em 1947, partir para o Brasil com Carminda Silva,
não sendo certo se o casamento com a sua companheira de
há muitos anos se terá realizado antes ou depois da
partida.
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| Autor de uma obra multifacetada, António Botto conviveu
assim com todas as grandes figuras do modernismo
português
   António Botto
1921 |
| Tendo
colaborado em quase todas as revistas "literárias de
vanguarda - Contemporânea, Athena, Águia e outras que o
levaram a uma grande massa de leitores, como a
Ilustração, a Portucale, a Magazine Bertrand e a
Civilização, o seu nome foi-se impondo como poeta de
sensibilidade priveligiada e prosador elegante e original. O grande
público e a crítica começaram então, com
rara unanimidade, a considerar o poeta como uma das realidades
definitivas e de primeira fila na intelectualidade
portuguesa".
Grande Enciclopédia Portuguesa
e Brasileira
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 Botto no Martinho da Arcada com Fernando Pessoa, Raul Leal e
Augusto Ferreira Gomes |
|  António Botto, colaborador da
"Presença". |
|  António Botto em
1928 |
|  António Botto no
" Martinho da Arcada" café onde iam vários
escritores com Fernando Pessoa |
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Entre as personalidades do modernismo com quem
António Botto mais se relacionou está Fernando Pessoa
com quem teve relações de grande amizade.
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Carta de
Fernando Pessoa |
| Fernando Pessoa e António Botto elaboram
em conjunto uma Antologia de Poemas
Portugueses Modernos, tendo Fernando Pessoa falecido antes de
concluir a obra. Em "marginália" António
Botto dedica-lhe o poema ao lado e as seguintes palavras:"[...]
E como grande poeta que será, dou-lhe a mais sincera
homenagem fixando o seu nome, o de Álvaro de Campos, o de
Alberto Caeiro e de Ricardo reis, que são os seus nomes
também, nestas páginas que a sua límpida e
funda inteligência crítica, comigo apartou, para regalo
daqueles que saibam ler e sentir"
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| Na revista
"Contemporânea", 3 e 4, estalou uma polémica
entre Pessoa e Álvaro Maia, detractor da obra de Botto,
Raúl Leal interveio então em defesa da poesia deste
com o livro Sodoma Divinizada que provocou da ira da Liga de
Acção dos Estudantes de Lisboa o que, por sua vez,
levou o heterónimo Álvaro de Campos à
liça.
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| « A vasta obra poética de Botto, em parte
ainda dispersa ou não-recoligida, apesar de e
também pelo muito que ele publicou, republicou,
reorganizou em volumes dispersos ou suprimia de volumes
anteriores, etc., poderá repartir-se em quatro fases: a
juvenil, em que continua o tom da quadra dita popular,
conjugando-o com aspectos da dicção simbolista que
poetas como Correia de Oliveira, Augusto Gil, e sobretudo Lopes
Vieira haviam introduzido nela; a simbolistico-esteticista, em
que a juvenilidade tradicionalizante se literaliza dos requebros
esteticísticos que marcaram, nos anos 20, muita poesia
simultâneamente da tradição saudosista e
modernista (é a das primeiras edições das
Canções e breves plaquetes seguintes, em que
todavia a personalidade do poeta já figura inteira em
diversos poemas); a fase pessoal e original, nos anos 30, desde
as edições de 1930-32 das canções (
em que ele ia encorporando selecções de
colectâneas anteriores) até a Vida Que Te Dei e Os
Sonetos (fase que é também a dos seus excepcionais
contos infantis (fase que é também a dos seus
excepcionais contos infantis que tiveram realmente as
edições estrangeiras que se julgava ser uma das
mentiras megalomaníacas do poeta, da «novela
dramática» António, e da peça
Alfama); e a última fase, nos anos 40 e 50, até
à morte que é a de uma longa e triste
decadência, com poemas desvairadamente oprtunistas,
revisões desastrosas afectando nas
reedições alguns dos melhores poemas anteriores
[...] ».
Líricas Portuguesas/ Jorge
de Sena
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|  António Botto
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| As
sucessivas e confusas edições das suas obras , as
inexactidões biobibliopgráficas de toda a ordem
expendeu em notas e apontamentos (até sobre o local e
data do nascimento do poeta correm variadas versões)
contribuiram para a mistificação duma obra cujo
brilho, porém, nada logrou esmorecer. Óbices
destanatureza também não impediram que fosse
extremamente significativo o reconhecimento de grandes
personagens das letras estrangeiras que a Botto se referiram em
termos de louvor. Unamuno, Garcia Lorca, António Machado,
Ramon Jiménez, Gide, Valéry, Pirandello,
malaparte, Mário de Andrade, Jorge de Lima, Lins do rego,
Gabriela Mistral foram unânimes em saudar nas
canções o aparecimento de um grande poeta moderno.
Em Portugal, a repercussão não foi menor. Manuel
Teixeira Gomes prefaciou,as Canções com um estudo
crítico que Fernando Pessoa verteu para inglês. O
próprio Pessoa veio a prefaciar a novela António,
cuja edição original era também acompanhada
por uma carta de Guerra Junqueiro. No volume de prosa, Cartas
que me foram devolvidas surgiram ensaios criticos de fernando
pessoa e José Régio e, finalmente, João
Gaspar Simões também contribuiu com algumas
páginas de crítica no prefácio ao volume
Ciúme."
Dicionário
Biográfico Universal de Autores
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Não beijemo-nos apenas
Nesta agonia da tarde.
Guarda -
Para outro momento,
Teu viril corpo trigueiro.
O meu desejo não arde
E a convivência contigo
Modificou-me - sou outro...
A névoa da noite cai.
Já mal distingo a cor fulva
Dos teus cabelos - És lindo!
A morte
Devia ser
Uma vaga fantasia!
Dá-me o teu braço: - não ponhas
Esse desmaio na voz.
Sim, beijemo-nos, apenas!
- Que mais precisamos nós?
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| António Botto foi inúmeras vezes
reeditado e traduzido para várias línguas. Segundo o
prefácio de Alice Gram à edição
irlandesa do The Children's Book (O livro
das crianças),chegou mesmo a ser proposto para o
Prémio Nobel da Literatura.
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| "António Botto [...] acabaria por gozar de larga
audiência, em parte graças à
atenção de alguns dos mais altos espíritos do
seu tempo, como Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa, José
Régio ou Carlos Drumond de Andrade, entre outros [...],
através de estudos críticos ou referências
elogiosas em revistas literárias de vanguarda [...]".
Pequeno Dicionário de Autores de Língua
Portuguesa Fernanda Frazão, Maria Filomena Boavida
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| Também a imprensa estrangeira se referiu à sua
obra duma forma bastante elogiosa:
Um livro de contos para crianças do
célebre escritor português António Botto
está publicado em inglês na tradução
magnífica de Alice Oram. Trata-se de uma verdadeira obra de
maravilha que lembra o livro imortal de Laura Richard's
«Janelas de Oiro». Devemos, contudo, afirmar que
António Botto é mais original, mais Poeta, mais
profundo, e o seu estilo, ao contrário do de Laura Richard's,
é inimitável e perfeito.
Morning Post ~ Londres
As histórias infantis do genial
poeta português António Botto, traduzidas por Alice
Oram, são, realmente, encantadoras. Há em cada uma
proveitosa lição de moral, e as
ilustrações parecem feitas pelas próprias
crianças que vão ler e amar êste livro lindo.
Woman's Magazine ~
Londres
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| | O distinto poeta português António
Botto é, também, um artista extraordinário que,
através dos seus contos infantis, nos mostra um profundo
conhecimento da alma das crianças.
Teacher's World ~ Londres
A Arte e a Poesia
do grande Poeta António Botto fizeram escola e os seus
imitadores e discípulos contam-se às centenas.
Diário de S.
Paulo ~ Brasil
É
inútl dizer-se que António Botto é um poeta
genial e um dos maiores de todos os tempos.
«Canções», «Cartas que me foram
devolvidas», «António», «O meu Amor
pequenino» e «Ciume» são autênticas
maravilhas que dignificam a literatura de um país.
El Sol ~ Madrid
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| | Só o génio poderia dar às
«Canções» de António Botto o charme
penetrante que as envolve.
Philcas Lebesgue ~ Mercure de France ~ Paris
«Os sonetos
de António Botto» são simplesmente geniais. O
tom de conversa natural, o conflito doloroso, elevado e mordente que
paira em cada verso e a novidade formal dos seus movimentos
rítmicos, dão-lhe categoria singular; é uma
obra que fica no mesmo plano em que ficaram os sonetos de
Shakespeare
Daily
Mail ~Londres
António
Botto é um poeta que honra o país em que nasceu.
La Nacion ~ Buenos
Aires
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 Busto de António Botto em Concavada, sua terra natal
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| Botto foi
"um dos mais discutidos, mas também dos mais
notáveis poetas portugueses, cuja aparição no
nosso meio literário acompanhado de grande celeuma e de
alguns escândalos". O que o tornou um mito,
inclusivé na própria terra onde nasceu.
Pequeno Dicionário de Autores de Língua
Portuguesa Fernanda Frazão, Maria
Filomena Boavida. |
|  Joaquina Varandas poetisa popular da Concavada |
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Só tenho pena, na vida,
De não Ter cursado um liceu,
Teria a Concavada dois poetas:
O António Botto, mais eu.
Joaquina Varandas
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|  Joaquina Varandas na sua casa |
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|  Recorte de jornal
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|  Convite, seguido do programa para exposição de homenagem a António Botto |
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| António Botto morreu a 16 de
Março de 1959, no Rio de Janeiro, atropelado, aos 61 anos de
idade.Em 1966 os seus ossos foram trasladados para Portugal,
encontrando-se no ossário nº1952, Rua 17, do
cemitério do Alto de S. João.
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|  Assento de óbito de António Botto |
|  Documento da aquisição do ossário de A. Botto |
|  Ossário de A. Botto no cemitério do Alto de S. João |
|  Ossário de A. Botto no cemitério do Alto de S. João |
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Meus olhos que por alguém
Deram lágrimas sem fim
Já não choram por
ninguém
-
Basta que chorem por mim
Arrependidos e olhando
A vida como ela é,
Meus olhos vão conquistando
Mais fadiga e menos
fé.
Mas se
as coisas são assim,
Chorar alguém - que loucura!
- Basta que eu chore por mim.
Poema de António Botto
gravado em disco por Teresa Silva Carvalho |
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